Vencedor da eleição na Hungria, Magyar diz que quer pedir a Putin o fim da guerra na Ucrânia

Vitória de Magyar foi bem recebida por líderes da União Europeia, que viam obstáculos para o grupo com a liderança anterior

Vencedor da eleição na Hungria, Magyar diz que quer pedir a Putin o fim da guerra na Ucrânia
Peter Magyar, líder do partido de oposição Tisza, ao centro, comemora com seus colegas de partido após o anúncio dos resultados parciais da eleição parlamentar, em Budapeste, Hungria, domingo, 12 de abril de 2026 / Imagem: AP/Denes Erdos
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O fato principal

*Por Sam McNeil e Justin Spike

Vencedor das eleições húngaras, Péter Magyar afirmou na última segunda-feira (13.abr.2026) que, se o presidente russo, Vladimir Putin, o ligasse, ele atenderia e lhe diria para pôr fim à guerra na Ucrânia.

“Se Vladimir Putin ligar, eu atenderei”, disse ele em sua 1ª coletiva de imprensa após a vitória esmagadora sobre o primeiro-ministro Viktor Orbán, aliado de Putin. “Se conversássemos, eu poderia dizer a ele que seria bom acabar com a matança depois de 4 anos e encerrar a guerra. Provavelmente seria uma conversa telefônica curta e não acho que ele encerraria a guerra por meu conselho”, acrescentou.

A declaração de Magyar provavelmente foi recebida com satisfação por muitos na União Europeia, que se acostumaram ao tom conciliatório de Orbán ao discutir a guerra ou Putin.

Das multidões jubilantes às margens do Danúbio, em Budapeste, aos gabinetes do governo em Bruxelas, elogios e até mesmo júbilo transbordaram para o próximo líder da Hungria após sua vitória esmagadora nas eleições de domingo (12.abr).

No entanto, a comoção após sua vitória se concentrou principalmente na perspectiva europeia de não ter mais que lidar com Orbán, visto por boa parte dos líderes do continente como uma ameaça à paz e à prosperidade da Europa.

A vitória de Magyar oferece mais otimismo à União Europeia, composta por 27 nações, que enfrentam diferentes problemas diplomáticos simultâneos:

  • A guerra da Rússia contra a Ucrânia;
  • A hostilidade do governo dos EUA; e
  • A pressão econômica da China.

Os líderes da UE estavam cada vez mais frustrados com Orbán por sua tomada de controle das instituições democráticas e pelo veto a ações estratégicas, como um empréstimo de 90 bilhões de euros (US$ 105 bilhões) à Ucrânia.

Resta saber se essas esperanças serão atendidas. Magyar evitou falar sobre a Ucrânia ou sobre questões controversas, como os direitos LGBTQI+, durante a campanha eleitoral. Ele era, anteriormente, um membro conservador do partido de Orbán.

Magyar disse à Associated Press que trabalharia mais próximo da União Europeia e da aliança militar da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), composta por 32 nações e liderada pelos EUA.

“Todos os húngaros sabem que esta é uma vitória compartilhada. Nossa pátria tomou uma decisão. Ela quer viver novamente. Ela quer ser um país europeu”, disse Magyar em seu discurso de vitória no domingo.

Olga Oliker, diretora de Segurança Europeia do International Crisis Group, afirmou:

“Enquanto Orbán retardava as ações e bloqueava o consenso, Magyar, ao definir as relações da Hungria com seus aliados europeus, sem falar das relações com a Ucrânia, a Rússia e os Estados Unidos, pode ajudar a moldar o futuro da Europa”.

Liberando fundos da UE para a Ucrânia

Após tomar posse em maio de 2026, o novo primeiro-ministro Magyar poderá, potencialmente, suspender o veto da Hungria e permitir que a Comissão Europeia forneça à Ucrânia o empréstimo de 90 bilhões de euros (US$ 105 bilhões) que Orbán havia concordado em dezembro e depois voltou atrás, enfurecendo seus colegas líderes.

Diplomatas da UE discutiriam na quarta-feira (15.abr) a melhor forma de agilizar o repasse dos fundos para Kiev, de acordo com informações da Associated Press. Chipre detém atualmente a Presidência rotativa da UE.

A Hungria faz fronteira com a Ucrânia, e o pró-Rússia Orbán era crítico do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy. Ao parabenizar a Hungria pela vitória, Zelenskyy afirmou:

“Estamos prontos para reuniões e trabalho construtivo conjunto em benefício de ambas as nações, bem como em prol da paz, segurança e estabilidade da Europa.”

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a Rússia respeita o resultado da votação húngara e espera manter contato com a nova liderança do país.

Ele acrescentou que “quanto às medidas que a nova liderança da Hungria tomará, provavelmente precisamos ser pacientes e ver o que acontece”.

Revés para a direita populista europeia

A derrota de Orbán repercutiu em todo o mundo, inclusive do outro lado do Atlântico, onde o presidente dos EUA, Donald Trump, apoiou a candidatura de Orbán à reeleição e até enviou o vice-presidente dos EUA, JD Vance, a Budapeste para fazer campanha.

Por que isso importa?

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A vitória de Magyar pode sinalizar uma mudança na política europeia, que tem sido dominada por uma guinada à extrema-direita na última década. Magyar vem de uma formação de direita, mas se distanciou da liderança de Orbán.

Com os partidos nacionalistas ganhando terreno na Alemanha e na França, o "terremoto" eleitoral na Hungria mostra que “os húngaros estão enviando um sinal para o mundo”, disse o parlamentar alemão Daniel Freund.

“O ícone das forças antieuropeias e iliberais agora fracassou, derrubado por uma economia desastrosa, corrupção e seu próprio sistema eleitoral injusto”, afirmou.

Os aliados populistas de Orbán na UE, o primeiro-ministro tcheco Andrej Babiš e o primeiro-ministro eslovaco Robert Fico, felicitaram Magyar, ao mesmo tempo que elogiaram o ex-líder. Ambos prometeram trabalhar com o próximo líder da Hungria

No entanto, Fico também mencionou o gasoduto Druzhba, encerrado desde um ataque na Ucrânia, uma questão que Orbán defendeu durante a campanha e que foi agravada pelo aumento dos preços da energia devido à guerra com o Irão.

Magyar criticou o governo de Orbán por não ter diversificado a sua matriz energética e defendeu a celebração de novos acordos e a construção de novas infraestruturas para trazer petróleo e gás de outras fontes para a Hungria, país sem litoral.

Autor

Associated Press
Associated Press

Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.

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