Trump reverte décadas de política comercial dos EUA em 2025. Veja o impacto de suas tarifas, em 4 gráficos
*Por Associated Press
Desde que retornou à Casa Branca em janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desmantelou décadas de política comercial do país, erguendo um muro tarifário em torno do que antes era uma economia amplamente aberta.
Seus impostos de 2 dígitos sobre importações de praticamente todos os países têm perturbado o comércio global e pressionado os orçamentos de consumidores e empresas em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as tarifas arrecadaram dezenas de bilhões de dólares para o Tesouro norte-americano.
Trump argumenta que as novas taxas de importação são necessárias para trazer de volta a riqueza que teria sido “roubada” dos Estados Unidos. Segundo ele, as tarifas ajudariam a reduzir o déficit comercial de longa data do país e a restaurar a manufatura nacional. Mas o rompimento das cadeias globais de suprimentos tem cobrado um preço alto de famílias que enfrentam preços em alta. As taxas são pagas por importadores, que geralmente repassam o custo extra a seus clientes. Ou seja, empresas e, em última instância, lares norte-americanos.
A forma errática como o presidente implementou suas tarifas –anunciando-as, depois suspendendo-as ou alterando-as, antes de impor novas– fez de 2025 um dos anos econômicos mais turbulentos em memória recente.
A seguir, uma análise do impacto das tarifas de Trump ao longo do ano, em 4 gráficos.
Taxa tarifária efetiva dos EUA

Um número-chave para medir o impacto geral das tarifas sobre consumidores e empresas é a “taxa tarifária efetiva” –que, diferente das tarifas anunciadas publicamente por Trump em medidas específicas, representa uma média baseada nas importações reais que entram no país.
Em 2025, segundo dados do Yale Budget Lab, a taxa tarifária efetiva dos EUA atingiu seu pico em abril. Ainda assim, permanece muito acima da média registrada no início do ano. Antes do fechamento das últimas projeções de consumo, a taxa efetiva de novembro estava em quase 17% –7 vezes maior do que a média de janeiro e o nível mais alto desde 1935.
Receita tarifária vs déficit comercial dos EUA

Entre seus principais argumentos para justificar as tarifas, Trump repetidamente disse que elas reduziriam o déficit comercial crônico dos EUA e trariam receitas adicionais ao Tesouro.
As tarifas mais altas realmente estão gerando dinheiro. Elas arrecadaram mais de US$ 236 bilhões até novembro –muito mais do que em anos anteriores. Ainda assim, representam apenas uma fração da receita total do governo federal. E estão longe de justificar a alegação de Trump de que a arrecadação tarifária poderia substituir o imposto de renda ou financiar dividendos para os americanos.
Enquanto isso, o déficit comercial dos EUA caiu significativamente desde o início do ano. A lacuna comercial chegou a um recorde mensal de US$ 136,4 bilhões em março, quando consumidores e empresas correram para importar produtos estrangeiros antes que as novas tarifas entrassem em vigor. O déficit recuou para US$ 52,8 bilhões em setembro, o mês mais recente com dados disponíveis. Mesmo assim, o déficit acumulado no ano ainda ficou 17% acima do registrado entre janeiro e setembro de 2024.
Mudanças nas importações com os principais parceiros comerciais
As tarifas de Trump em 2025 atingiram quase todos os países do mundo, inclusive os maiores parceiros comerciais dos EUA. Mas foi o comércio com a China que mais sofreu impacto. Antes o principal fornecedor de importações americanas, o país caiu para o 3º lugar, atrás do Canadá e do México. As tarifas sobre produtos chineses chegam a 47,5%, segundo cálculos de Chad Bown, do Peterson Institute for International Economics.
O valor das mercadorias importadas da China caiu quase 25% nos três primeiros trimestres do ano. As importações do Canadá também diminuíram. Mas o valor de produtos vindos do México, do Vietnã e de Taiwan cresceu no mesmo período.
Oscilações do mercado
Para investidores, os momentos mais voláteis do mercado de ações neste ano ocorreram durante as fases mais imprevisíveis da política tarifária de Trump.
O índice S&P 500, que reúne as maiores empresas de capital aberto dos Estados Unidos, registrou as maiores variações diárias e semanais em abril –e também as maiores perdas e ganhos mensais em março e junho, respectivamente.
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