'Tem que parar de falar mal do Brasil', diz ex-ministra do Meio Ambiente
Izabella Teixeira falou em adição energética, no lugar de transição de energia. Defendeu o papel do Brasil como provedor de segurança alimentar do mundo e o uso da tecnologia na agenda climática.

Ex-ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira declarou na última sexta-feira (22.ago.2025) que os brasileiros deveriam fazer um pacto sobre não falar mal do país no exterior, independentemente de suas posições políticas.
"Acho que o Brasil tem um processo a ser pactuado, independente das questões políticas ideológicas. Nós estamos falando dos interesses de desenvolvimento do país, nós estamos falando dos interesses desse país, hoje e no futuro. E isso, eu sempre falo aqui no Lide: tem que parar de falar mal do Brasil", afirmou.
Izabella Teixeira complementou que não vê "em nenhum fórum internacional um espanhol falar mal da Espanha". Na visão dela, deve haver uma postura nacional em prol do desenvolvimento do país, considerando um cenário de adição energética, e não de transição.
"Ou a gente pactua o que significa, de fato, a transformação da economia como um processo, entendendo que o mundo vive um processo de adição energética e não de transição energética, o mundo está adicionando fontes de energia por causa da demanda crescente, e o Brasil tem condições de fazer eficiência energética, carbon storage, uma série de discussões estratégicas sobre as nossas opções de desenvolvimento, e isso, sim, é descarbonização da economia, isso, sim, é eletrificação da economia, isso, sim, é conservação da natureza", disse.
A ex-ministra deu as declarações durante seu discurso de aproximadamente 10 minutos no 24º Fórum Empresarial Lide, realizado no hotel Fairmont, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro.
O evento reuniu governadores, presidentes de partidos políticos, senadores, deputados federais e empresários que lideram algumas das maiores empresas do país. O Correio Sabiá esteve entre os jornais que participaram presencialmente do encontro.
'Questão climática não é mais uma prerrogativa dos ambientalistas', diz ex-ministra
Izabella Teixeira pediu a "sensibilidade" das pessoas presentes na platéia do evento do Lide para entender que "a questão climática não é um assunto estritamente ou mais uma prerrogativa do meio ambiente ou dos ambientalistas".
"É um assunto de interesse geopolítico, é um assunto de interesse geoeconômico, é um assunto de desenvolvimento. Dessa maneira, não só pela agricultura, mas pelo setor de energia e pelo setor de mineração, esses 3 setores econômicos que o Brasil amplia estratégica, interna e internacionalmente, que a discussão sobre a questão climática ganha outros contornos no mundo, e eu espero, sinceramente, que também ganhe no Brasil", disse.
A ex-ministra explicou que está em curso uma reorganização das superpotências, com definições sobre seus novos campos estratégicos de atuação e de poder.
"Isso a gente chama, no inglês, 'power politics'. É a 'política do poder'. E, na agenda climática, que é uma agenda de desenvolvimento e uma agenda que a natureza já mudou (...), nós estamos trazendo para a equação do sistema financeiro internacional e do sistema econômico internacional o risco climático, e o Brasil é vulnerável ao risco climático", falou.
Izabella Teixeira mencionou que, "não só o Brasil, como em outros países do mundo, infelizmente, a questão do risco climático não é homogênea".
"Ela é absolutamente desigual e incerta. E, obviamente, nós temos que adotar uma questão de saber preparar, agir no curto prazo, e, portanto, temos uma discussão mais estratégica no país sobre a questão do risco e das nossas atividades econômicas –o quão vulneráveis nós somos ou não–, mas também uma visão de tentar ser um país que retira carbono da atmosfera e faz ações de mitigação, porque isso é estratégico para o nosso desenvolvimento", afirmou.
Izabella Teixeira: agenda climática requer mais do que ações de conservação
Para a ex-ministra, a agenda climática exige mais do que ações de conservação ambiental. Ela defendeu uma pauta de inovação tecnológica para retirar carbono e promover desenvolvimento.
"A agenda de clima é uma agenda essencial para o país, mas não vejo como um monopólio, por exemplo, que as soluções de clima estejam estritamente ligadas às soluções baseadas na natureza. Você requer muita tecnologia, você requer muita visão econômica, você requer muita regulação jurídica legal no país para que o país possa, de fato, avançar sem retrocessos nas suas ambições de desenvolvimento, onde a questão climática é uma das variáveis de tomar a decisão", falou.
"Não é possível que as pessoas achem que há somente uma tendência de soluções baseadas na conservação, por exemplo, de floresta. A restauração florestal é essencial para retirar carbono da atmosfera. Mas existem processos tecnológicos que o Brasil também vai atrás. E por quê? Porque a divisão do mundo hoje, do poder político, tem três equações. A equação de defesa e segurança, do mundo digital tecnológico, obviamente, e a questão de segurança alimentar", afirmou.
Num outro momento do discurso, Izabella Teixeira declarou que o Brasil desempenha um papel estratégico no mundo por sua diplomacia, bem como pela capacidade de prover segurança alimentar e energética.
"O Brasil é um país que pode se tornar, de fato, um provedor de soluções da questão climática e isso tem uma expressão importante na chamada agenda de soft power que o Brasil escolheu para pertencer ao mundo", disse.
"Essa discussão, como não há segurança alimentar no mundo sem a agricultura brasileira, ela ganha outros contornos quando você quer discutir segurança alimentar junto com segurança energética, a questão dos biocombustíveis, dos combustíveis sustentáveis e a visão estratégica de segurança mineral, tendo em vista que o Brasil é um player estratégico sobre minerais críticos e minerais estratégicos no mundo", continuou.
Ex-ministra critica emissões de carbono a partir de atividades ilícitas
Izabella Teixeira criticou as emissões de carbono na Amazônia associadas a atividades ilegais, como delitos ambientais:
"Não é possível que as pessoas queiram discutir isso a partir somente das soluções associadas ao fim do desmatamento da Amazônia, que tem que acabar, porque a Amazônia não tem um conceito nacional e mais de cerca de 48% das emissões brasileiras são associadas ao crime organizado."
De acordo com ela, "o Brasil é o único país do mundo que tem emissões de carbono altas associadas a uma atividade ilegal".
"Como é que os brasileiros querem conviver com isso? Eu não compreendo. Eu não compreendo que um dos maiores produtores de alimentos, que é o Brasil, queira correr o risco de ter a sua produção de alimentos com lavagem de dinheiro, associada ao crime organizado", disse.
Depois, a ex-ministra defendeu a agricultura brasileira e ganhou aplausos das pessoas presentes no evento:
"A agricultura é séria nesse país, e eu sempre falei isso. É preciso separar, isolar a ilegalidade, e trabalhar com um novo momento de segurança alimentar no mundo, onde não existe, de fato, sem o Brasil sendo parte da equação. Não existe."
Author

Jornalista e empreendedor. Criador/CEO do Correio Sabiá. Emerging Media Leader (2020) pelo ICFJ. Cobriu a Presidência da República.
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