Sobreviventes das enchentes no Nepal chegam a áreas seguras; há quase 3 mil desaparecidos
Catástrofe causada por colapso glacial deixou, até agora, mais de 6 centenas de pessoas mortas
*Por Victoria Milko e Shristi Kafle
O fato principal
Enquanto os esforços de resgate em comunidades soterradas por enchentes catastróficas ao longo da fronteira entre o Nepal e a China entravam em seu 4º dia neste sábado (29.ago.2026), as autoridades continuavam encontrando sobreviventes e levando-os para locais seguros.
Nos centros de assistência, enquanto alguns chegavam, famílias de outras pessoas aguardavam ansiosamente por notícias de seus entes, à medida que o número de mortos e de pessoas desaparecidas continuava a aumentar.
Após a atualização dos dados pelas autoridades nepalesas no sábado, o número total combinado de vítimas no Nepal e no Tibete subiu para 676 mortos. Há quase 3.000 desaparecidos. As autoridades chinesas relataram 7 mortes e mais de 550 desaparecidos, enquanto a agência de gestão de desastres do Nepal informou que o número de mortos havia subido para 669, com 2.426 pessoas desaparecidas.
Mais de 3.700 pessoas foram resgatadas no Nepal até o momento.
Ajuda humanitária

Em Nuwakot, um dos distritos nepaleses devastados pelas enchentes, helicópteros chegaram carregados de caixas e sacos com ajuda humanitária, incluindo roupas, macarrão instantâneo, biscoitos e arroz. Outras aeronaves retornavam das áreas atingidas transportando sobreviventes.

Um homem idoso foi ajudado com cuidado a descer de um helicóptero, enquanto um soldado carregava uma mulher idosa nas costas até uma tenda médica. A maioria chegou sem nada, exceto a roupa do corpo.

Cerca de uma dúzia de pessoas desembarcou de outro helicóptero. Soldados carregavam vários bebês que haviam sido evacuados.
As pessoas evacuadas haviam sido trazidas da comunidade vizinha de Trishuli.
Moradores retornam a casas devastadas
Enquanto as pessoas ainda deixavam Trishuli, alguns moradores do vilarejo retornavam para ver o que poderia ser recuperado de suas casas destruídas.
Um menino saiu do vilarejo carregando sandálias cobertas de lama que pertenciam à sua casa. Outra moradora, Shoba Shretha, retornou para encontrar Sweetie, a cadela que ela fora forçada a deixar para trás quando as enchentes chegaram. Shretha sentou-se no chão, acariciando-a e dando-lhe água de uma garrafa.
Em certo momento, as equipes de socorro afastaram moradores, repórteres e voluntários da entrada de Trishuli, enquanto máquinas de escavação entravam na vila inundada para iniciar os trabalhos.
Famílias começam a perder a esperança

Em Catmandu, capital do Nepal, parentes e amigos reuniram-se desde cedo em frente ao principal hospital público, buscando desesperadamente notícias de seus entes queridos desaparecidos.
Muitos circulavam entre o balcão de informações e o mural de avisos do hospital, segurando fotografias e examinando as listas de pacientes feridos na esperança de encontrá-los.
Dil Maya Lama chorava diante do balcão de informações do hospital, em busca de notícias sobre seu irmão de 26 anos, motorista de uma empresa hidrelétrica em Rasuwa. Ela havia viajado de Ramechhap, a cerca de 130 quilômetros de distância.
"Vim para cá com a esperança de encontrá-lo", disse ela. "Não há nenhuma informação sobre ele."
Nelza Moktan buscava ansiosamente informações sobre seu primo desaparecido, que também trabalhava como motorista em Rasuwa.
"Sinto-me sem esperança. Já se passaram 4 dias", disse ela.
As famílias cobriram as paredes do hospital com cartazes exibindo fotos e números de contato dos parentes desaparecidos, em um apelo desesperado por qualquer pista que pudesse trazê-los de volta para casa.
Autor
Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.