Retorno do presidente camaronês Biya após longa estadia no exterior levanta dúvidas sobre sua saúde

Biya governa Camarões há mais tempo do que a idade da maioria de seus cidadãos: mais de 70% da população tem menos de 35 anos

Retorno do presidente camaronês Biya após longa estadia no exterior levanta dúvidas sobre sua saúde
O presidente de Camarões, Paul Biya, do partido Movimento Democrático do Povo de Camarões, aguarda para votar durante as eleições presidenciais em 7 de outubro de 2018, em Yaoundé, Camarões. (Foto AP/Sunday Alamba, Arquivo)

*Por Nalova Akua

O presidente Paul Biya retornou a Camarões nesta quinta-feira (20.ago.2026) após uma estadia de mais de 2 meses no exterior, período que gerou preocupações sobre a saúde do líder de 93 anos e um possível vácuo de poder no país da África Central.

Biya chegou ao aeroporto internacional da capital, Yaoundé, em um voo vindo de Genebra, na Suíça, após mais de 10 semanas de ausência.

O presidente mais velho do mundo, que governa Camarões desde 1982, iniciou seu 8º mandato em novembro, após vencer uma eleição bastante contestada em outubro.

Biya havia deixado o país em 7 de junho para o que seu gabinete descreveu como "uma breve estadia privada na Europa", mas a viagem acabou se tornando a ausência mais longa registrada em sua presidência.

A saúde do presidente é há muito tempo objeto de especulação, visto que ele passa grande parte do tempo na Europa — incluindo França e Suíça —, onde frequentemente permanece por semanas, deixando a administração do país a cargo de autoridades importantes do partido e de familiares.

A Constituição de Camarões não proíbe especificamente que um presidente deixe o país por meses. No entanto, na ausência de um vice-presidente — cargo cujo preenchimento depende exclusivamente de Biya —, a oposição diz que a gestão do país está no "piloto automático".

Colaboradores próximos de Biya estavam no aeroporto na quinta-feira, mas ele não foi visto descendo da aeronave e não concedeu entrevistas ou declarações. Ele foi visto acenando para apoiadores de dentro de seu veículo.

O balanço dos quase 50 anos de Biya no poder é misto. Insurgências armadas do Boko Haram no norte e de separatistas no oeste, somadas a uma economia estagnada, deixaram muitos jovens desiludidos com o líder.

A reeleição do presidente no ano passado desencadeou protestos generalizados que deixaram pelo menos 16 mortos, segundo dados do governo, sinalizando tensões significativas entre a população — majoritariamente jovem — e seu líder idoso.

Após uma emenda constitucional de 2008 abolir os limites de mandato, Biya governa Camarões há mais tempo do que a idade da maioria de seus cidadãos: mais de 70% da população do país, que conta com quase 30 milhões de habitantes, tem menos de 35 anos.

Em abril, o Parlamento de Camarões restabeleceu o cargo de vice-presidente — uma medida criticada pela oposição como uma manobra para consolidar o poder, uma vez que Biya pode nomear e demitir o vice a seu critério e definir quais atribuições o cargo exercerá.

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Associated Press
Associated Press

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