🇮🇷 Irã já teve momento democrático
Queda do regime ocorreu com apoio dos EUA e do Reino Unido, com petróleo como pano de fundo
O destaque
Mais de 2,5 mil pessoas morreram em decorrência da repressão do governo do Irã aos protestos generalizados pelo país, que já duram mais de 2 semanas. Desde que os atos começaram, foram registradas mais de 600 manifestações em 31 cidades. Mais de 18 mil pessoas foram detidas.
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Agora, fala-se também em dar mais rapidez aos julgamentos e às execuções de manifestantes, conforme sinalização do chefe do Judiciário do Irã, Gholamhossein Mohseni-Ejei.
“Se queremos fazer algo, devemos fazer agora. Se queremos agir, temos que fazer rápido. Se demorarmos 2 ou 3 meses, o efeito não será o mesmo. Temos que agir rapidamente”, disse ele num comentário em um vídeo compartilhado pela televisão estatal iraniana.


Funeral em massa
Dezenas de milhares de pessoas de luto lotaram as ruas próximas à Universidade de Teerã para um funeral de mais de 300 membros das forças de segurança do governo e de civis nesta quarta-feira (14). Neste caso, os atos eram pró-governo.
Muitos carregavam bandeiras iranianas e fotos de seus parentes e do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.
A multidão gritava e batia no peito em resposta a um mestre de cerimônias que falava de um palco. Um homem ergueu uma foto do presidente dos EUA, Donald Trump, durante a tentativa de assassinato na Pensilvânia, com a legenda:
"A flecha nem sempre erra!"
O apresentador culpou os EUA pelos protestos no país:
"Todos os nossos problemas são por causa da América, os problemas econômicos de hoje são por causa das sanções americanas. Morte à América!", gritou, provocando o mesmo grito das dezenas de milhares de pessoas, vestidas majoritariamente de preto.

Galeria de fotos




Imagens: AP Photo
Irã teve momento democrático
Após a Segunda Guerra Mundial, o país adotou um sistema parlamentar relativamente plural. Em 1951, o então primeiro-ministro Mohammad Mossadegh chegou ao poder por vias democráticas, com forte apoio popular e do Parlamento.
Nacionalista e reformista, Mossadegh tomou uma decisão que marcaria o destino do país: nacionalizar a indústria do petróleo, até então controlada por interesses britânicos, sobretudo pela Anglo-Iranian Oil Company (atual BP).

Queda ocorreu com interferência dos EUA e do Reino Unido
A medida enfrentou dura reação do Reino Unido e dos Estados Unidos, que viam a nacionalização como uma ameaça estratégica e econômica, além do temor –típico do contexto da Guerra Fria– de que o Irã se aproximasse da União Soviética.
Em 1953, Mossadegh foi deposto em um golpe de Estado articulado pela CIA (Central Intelligence Agency, o serviço de inteligência estrangeira dos EUA) e pelo MI6, o serviço de inteligência britânico, na chamada Operação Ajax.
Com a queda de Mossadegh, o poder foi consolidado nas mãos do xá Mohammad Reza Pahlavi, que governou o país de forma cada vez mais autoritária.
Embora o regime Pahlavi promovesse modernização econômica e costumes mais secularizados, ele se sustentava por meio de repressão política, censura e uma polícia secreta (a SAVAK), com amplo apoio dos Estados Unidos.
Esse modelo provocou crescente insatisfação popular, reunindo setores diversos da sociedade iraniana –religiosos, intelectuais, trabalhadores e estudantes– em oposição ao xá.
O descontentamento culminou na Revolução Islâmica de 1979, que derrubou a monarquia e instaurou uma República Islâmica, então liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, que governou até 1989 (sendo sucedido pelo aiatolá Ali Khamenei, que governa até hoje).

Trump diz que 'ajuda está a caminho'
O presidente dos EUA, Donald Trump, fez um post nas redes sociais nesta terça-feira (13) pelo qual estimulava que os manifestantes continuassem nas redes e aguardassem por uma ajuda norte-americana que, segundo ele, estaria "a caminho".
Trump não detalhou que ajuda seria essa. O presidente norte-americano também falou que cancelou reuniões com autoridades iranianas por causa da sangrenta repressão aos protestos.
Enquanto isso, diplomatas árabes, sob condição de anonimato (já que não estão autorizados a falar com a imprensa), disseram off-the-record para a Associated Press que estão tentando dissuadir Trump de fazer um ataque militar ao Irã.

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Primeira organização de notícias do Brasil criada no WhatsApp, em 2018, para combater a desinformação.



