Irã já teve governo democrático que caiu com interferência dos EUA e do Reino Unido, com petróleo como pano de fundo

Por décadas, os 2 países também deram apoio a outro governo autoritário, mas alinhado ao Ocidente

Irã já teve governo democrático que caiu com interferência dos EUA e do Reino Unido, com petróleo como pano de fundo
Esta captura de tela de imagens que circulam nas redes sociais mostra manifestantes dançando e comemorando em volta de uma fogueira enquanto tomam as ruas, apesar da intensificação da repressão, enquanto a República Islâmica permanece isolada do resto do mundo, em Teerã, Irã, 9 de janeiro de 2026 / Imagem: UGC via AP, Arquivo

Período democrático

O Irã viveu, ao longo do século XX, um breve experimento democrático que foi interrompido por interferência externa, abrindo caminho para décadas de autoritarismo e, posteriormente, para a atual teocracia islâmica.

Após a Segunda Guerra Mundial, o país adotou um sistema parlamentar relativamente plural. Em 1951, o então primeiro-ministro Mohammad Mossadegh chegou ao poder por vias democráticas, com forte apoio popular e do Parlamento.

Nacionalista e reformista, Mossadegh tomou uma decisão que marcaria o destino do país: nacionalizar a indústria do petróleo, até então controlada por interesses britânicos, sobretudo pela Anglo-Iranian Oil Company (atual BP).

A medida enfrentou dura reação do Reino Unido e dos Estados Unidos, que viam a nacionalização como uma ameaça estratégica e econômica, além do temor –típico do contexto da Guerra Fria– de que o Irã se aproximasse da União Soviética.

Em 1953, Mossadegh foi deposto em um golpe de Estado articulado pela CIA (Central Intelligence Agency, o serviço de inteligência estrangeira dos EUA) e pelo MI6, o serviço de inteligência britânico, na chamada Operação Ajax.

Com a queda de Mossadegh, o poder foi consolidado nas mãos do xá Mohammad Reza Pahlavi, que governou o país de forma cada vez mais autoritária.

Embora o regime Pahlavi promovesse modernização econômica e costumes mais secularizados, ele se sustentava por meio de repressão política, censura e uma polícia secreta (a SAVAK), com amplo apoio dos Estados Unidos.

Esse modelo provocou crescente insatisfação popular, reunindo setores diversos da sociedade iraniana –religiosos, intelectuais, trabalhadores e estudantes– em oposição ao xá.

O descontentamento culminou na Revolução Islâmica de 1979, que derrubou a monarquia e instaurou uma República Islâmica, então liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, que governou até 1989 (sendo sucedido pelo aiatolá Ali Khamenei, que governa até hoje).

Desde 1979, o Irã passou a ser governado por um sistema teocrático, no qual o poder máximo não reside em instituições eleitas, mas na figura do Líder Supremo, autoridade religiosa com amplos poderes sobre o Estado.

A revolução também consolidou uma postura fortemente antiocidental, especialmente contra os Estados Unidos, vistos como corresponsáveis pela derrubada do governo democrático de Mossadegh e pelo apoio ao regime autoritário do xá.

O que é o xá?

O xá era o título do monarca do Irã, equivalente a rei, usado por séculos na história persa. No século XX, o país foi governado pela dinastia Pahlavi, cujo último representante, Mohammad Reza Shah Pahlavi, permaneceu no poder até 1979.

Embora o Irã mantivesse formalmente uma Constituição e um Parlamento, o xá concentrava amplos poderes como chefe de Estado e comandava o país de forma cada vez mais autoritária.

Durante o regime do xá, o Irã passou por um processo de modernização econômica e de costumes, com forte alinhamento aos Estados Unidos e à Europa Ocidental.

Ao mesmo tempo, o governo se apoiava em repressão política, censura e perseguição a opositores, o que alimentou crescente insatisfação popular.

Esse descontentamento foi um dos fatores centrais que levaram à Revolução Islâmica de 1979, que derrubou a monarquia e encerrou definitivamente o período dos xás no país.

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Correio Sabiá
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