Fim da reeleição para presidente, governador e prefeito? Entenda a proposta

Texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado e pela Câmara, em 2 turnos de votação. Saiba o que mudaria e como é a tramitação.

Fim da reeleição para presidente, governador e prefeito? Entenda a proposta
Proposta tem regra de transição e previsão de eleição unificada (municipal + geral) / Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil
Table of Content

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou nesta quarta-feira (21.mai.2025) o texto-base da PEC (proposta de emenda à Constituição) que acaba com a reeleição para os cargos do Executivo: presidente, governador e prefeito.

⚠️
As regras não foram definitivamente aprovadas. O texto está em tramitação. Ainda terá que ser votado em plenário no Senado (por todos os senadores, e não apenas pela comissão) e, depois, tramitar pela Câmara.
  • Para detalhes técnicos da tramitação da PEC 12/2022, clique aqui.

A proposta também prevê unificar as eleições municipais e gerais do Brasil a partir de 2034. Ou seja, uma só eleição para todos os cargos, que ocorreria a cada 5 anos.

Isso porque a duração dos mandatos seria ampliada dos atuais 4 anos para 5 anos. Esta medida valeria para todos os cargos eletivos –tanto para presidente, governador e prefeito (cargos do Executivo), como deputados (estaduais e federais) e vereadores.

No caso dos senadores, cujo mandato tem duração de 8 anos, haveria uma redução para 5 anos, de forma que todos os cargos eletivos, em algum momento (2034), pudessem ter mandatos coincidentes com a data da eleição unificada.

⚠️
Repetindo: a PEC ainda não foi definitivamente aprovada e, mesmo que seja, haverá regras de transição, de forma a não prejudicar quem está com mandato atualmente.

Como vai funcionar a PEC do fim da reeleição?

Para unificar as eleições e ampliar a duração do mandato para quase todos os cargos eletivos (ao mesmo tempo em que não prejudica mandatários atualmente eleitos), a PEC propõe uma transição. Eis abaixo como fica:

  • Prefeitos: Podem tentar a reeleição na eleição municipal de 2028 (se tiverem sido eleitos para o 1º mandato em 2024). Depois disso, não poderão mais se candidatar à reeleição.
  • Governadores: Podem tentar a reeleição na eleição geral de 2030 (se tiverem sido eleitos para o 1º mandato em 2026). Depois disso, novos eleitos não poderão mais ser reconduzidos.
  • Presidente: Também pode tentar a reeleição pela última vez na eleição geral de 2030, caso tenha sido eleito para um 1º mandato em 2026. Depois, não poderá mais ser reconduzido.
  • Vereadores, deputados (federais e estaduais) e senadores: Podem continuar se candidatando quantas vezes quiserem para renovar seus mandatos.

Pontos-chave da proposta:

  • A PEC pretende acabar com a reeleição até 2030;
    • Para prefeitos, a chance de reeleição acabaria em 2028;
    • Para governadores e presidente, a chance de reeleição acabaria em 2030.
  • A eleição unificada passaria a ocorrer em 2034;
  • Os mandatos de todos os cargos eletivos, a partir de 2034, seriam de 5 anos;
    • Para isso, todos os cargos teriam mandatos maiores (de 4 anos para 5 anos), exceto senadores (que teriam redução de 8 anos para 5 anos).

A ementa da PEC diz que:

"Para os atuais presidentes, governadores e prefeitos, a proposta permitirá que cumpram seus mandatos atuais e, se estiverem no 1º mandato, possam se candidatar à reeleição uma última vez.

Para os futuros candidatos a cargos do Poder Executivo, haverá uma maior oportunidade de competir em condições mais igualitárias, sem a vantagem dos atuais ocupantes do cargo.

Para a sociedade, a proposta pode promover a renovação política, permitindo o surgimento de novas lideranças e ideias, além de proporcionar um período maior para a implementação de programas de governo.

Para o sistema eleitoral, a mudança pode exigir ajustes nos calendários e processos eleitorais para acomodar os novos prazos de mandato e a proibição de reeleição."

Entenda a tramitação de uma PEC

Por ser uma alteração constitucional, uma PEC tem tramitação mais complexa do que um simples projeto (e é mais difícil de ser aprovada).

São 2 turnos de votação nas duas Casas (Senado e Câmara). Nas duas ocasiões, precisa da aprovação de 3/5 dos senadores e dos deputados.

Para efeito de comparação, um PL (projeto de lei) precisa de maioria simples, que é metade + 1. Ou seja:

  • No Senado, uma PEC precisa de pelo menos 49 votos (do total de 81 senadores), sendo votada 2 vezes.
  • Na Câmara, uma PEC precisa de pelo menos 308 votos (do total de 513 deputados federais), sendo votada 2 vezes.

Um PL precisaria de 41 votos no Senado, sendo votado uma única vez. Na Câmara, precisaria de 256 votos, também votado uma única vez.

Os quóruns elevados refletem a rigidez para alterar da Constituição. Além disso, se o texto for alterado em uma das Casas (Senado ou Câmara), ele retorna para a outra, até que ambas aprovem exatamente o mesmo texto em 2 turnos cada.

Após consenso e aprovação, a PEC é promulgada pelo Congresso Nacional. Portanto, não precisa de sanção presidencial (não passa pelo presidente da República).

O que dizem esquerda e direita sobre a PEC do fim da reeleição?

Tanto esquerda quanto direita criticam a reeleição. Argumentam que o fim da recondução para os cargos eletivos do Executivo tende a evitar personalismos na política.

Tanto é assim que a PEC foi aprovada na CCJ do Senado sem que houvesse uma contagem formal dos votos. Chama-se "votação simbólica".

O que é votação simbólica?

No Congresso (tanto na Câmara quanto no Senado), existem diferentes formas de votar projetos, propostas e emendas. Uma delas é a votação simbólica, que é um procedimento rápido em que os congressistas não registram individualmente seus votos.

  • O presidente da sessão pergunta: “Os que aprovam permaneçam como estão; os contrários que se manifestem.”
  • Se não houver manifestações contrárias significativas, considera-se aprovado.
  • Não há contagem nominal de votos, nem registro de quem votou a favor ou contra.

A votação simbólica é usada quando há consenso ou quando não há polêmica relevante sobre o texto. Serve para agilizar os trabalhos, principalmente em matérias consideradas de acordo entre os parlamentares.

Author

Maurício de Azevedo Ferro
Maurício de Azevedo Ferro

Jornalista e empreendedor. Criador/CEO do Correio Sabiá. Emerging Media Leader (2020) pelo ICFJ. Cobriu a Presidência da República.

Sign up for Correio Sabiá newsletters.

Stay up to date with curated collection of our top stories.

Please check your inbox and confirm. Something went wrong. Please try again.

Participe para se juntar à discussão.

Please create a free account to become a member and join the discussion.

Already have an account? Sign in

Sign up for Correio Sabiá newsletters.

Stay up to date with curated collection of our top stories.

Please check your inbox and confirm. Something went wrong. Please try again.