Expansionismo? Trump sugere anexar Groelândia, Canal do Panamá e Canadá aos Estados Unidos; entenda

Suposto interesse na Groelândia colide com fundamentos da Otan e tem potencial de legitimar interesses expansionistas de outros países

Expansionismo? Trump sugere anexar Groelândia, Canal do Panamá e Canadá aos Estados Unidos; entenda
Perto de tomar posse, Trump passou a dar diversas declarações de teor expansionista / Imagem: Reprodução/Instagram
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O presidente eleito dos Estados Unidos 🇺🇸, Donald Trump, tem mostrado supostas ambições expansionistas que causaram respostas da comunidade internacional. Entre os principais alvos de Trump, estão:

  1. 🇬🇱 Groenlândia, um território semiautônomo da Dinamarca 🇩🇰
  2. 🇵🇦 Canal do Panamá
  3. 🇨🇦 Canadá

Nos casos de Groelândia e Canal do Panamá, o presidente eleito dos Estados Unidos não descartou uso de força militar para tomar o poder. Para o Canadá, o princípio da dominação seria o poder econômico.

  1. Trump ainda sugeriu renomear o Golfo do México 🇲🇽 para "Golfo da América".

Ainda não se sabe o que Trump pretende, exatamente, com essas declarações. Mais abaixo, neste mesmo conteúdo, destrinchamos potenciais desdobramentos.

Imediatamente a seguir, detalhes dos supostos interesses expansionistas. Separamos por local:

Groenlândia

Trump diz considerar a anexação da Groenlândia uma "necessidade absoluta" para a segurança nacional dos Estados Unidos. Seus interesses na ilha incluem:

  • Posição estratégica no Ártico, tanto por razões bélicas quanto por rotas marítimas.
  • Recursos naturais, incluindo petróleo e minerais raros. É rica em hidrocarbonetos, ouro e urânio.
  • É potencial fonte de jazidas de minerais de terras raras.
  • Instalações militares existentes, como uma base aérea e estação de radar.

Trump não descartou o uso de força militar para tomar a Groenlândia e ameaçou impor tarifas elevadas à Dinamarca caso resista à oferta de compra.

Canal do Panamá

O presidente eleito expressou interesse em retomar o controle do Canal do Panamá, citando razões de segurança econômica. Suas ações incluem:

  • Críticas ao acordo de 1977 que transferiu o controle do canal para o Panamá.
  • Ameaças de usar força militar ou pressão econômica para recuperar o controle.
  • Provocou com uma publicação nas redes sociais:

Canadá

Trump fez declarações provocativas sobre o Canadá, incluindo:

  • Referir-se ao país como um possível "51º estado" americano.
  • Criticar os gastos dos EUA com produtos canadenses e apoio militar ao país.
  • Publicar uma imagem nas redes sociais em que o país é visto como território dos EUA.

Trump justifica essas ambições expansionistas como necessárias para a segurança nacional e econômica dos Estados Unidos, frequentemente enquadrando-as como parte de sua visão de "América em 1º lugar" e "Make America Great Again".

Como o avanço de Trump sobre a Groelândia atinge a Otan?

Colisão com princípios da Otan

As ameaças de Trump de usar força militar para anexar a Groenlândia colidem com os princípios fundamentais da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), aliança militar liderada pelos Estados Unidos e integrada por quase todos os países da Europa:

  • A Groenlândia é um território semiautônomo da Dinamarca, um membro fundador da Otan.
  • O acordo de defesa mútua da Otan especifica que um ataque a qualquer aliado é considerado uma agressão à aliança como um todo.

A situação cria um dilema para a Otan:

  • Como reagir quando a ameaça vem de um de seus próprios membros, que também é seu maior financiador?
  • A ideia de a Otan entrar em guerra consigo mesma torna remota a possibilidade de anexação da Groenlândia pela força militar.

Relações transatlânticas

Abaixo, mais perguntas do que respostas sobre as declarações de Trump:

  • Prejudicam as relações entre os EUA e seus aliados europeus?
  • Ameaçam a soberania da Dinamarca, um membro da UE (União Europeia 🇪🇺) e da Otan?
  • Colocam em xeque a confiança mútua entre os aliados, fundamental para o funcionamento da Otan?

Consequências geopolíticas

A seguir, mais perguntas sobre as supostas ambições de Trump em relação à Groenlândia e outros territórios:

  • Podem legitimar ações expansionistas de outras potências? Estes seriam os casos da Rússia 🇷🇺, que está em guerra com a Ucrânia 🇺🇦, e de Israel 🇮🇱, cujo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já anunciou planos para expandir a presença israelense nas Colinas de Golã, da Síria 🇸🇾.
  • Aumentam as tensões no Ártico, uma região de crescente importância estratégica?

Por que Trump estaria interessado em comprar a Groelândia?

O suposto interesse de Donald Trump na Groenlândia estaria fundamentado em diversos fatores estratégicos e econômicos.

Em tópicos, a relevância da Groelândia:

Segurança nacional

Com apenas cerca de 56 mil moradores, mas uma área de mais de 800.000 milhas quadradas (aproximadamente 3 vezes o tamanho do estado norte-americano do Texas), a Groenlândia oferece uma posição estratégica no Ártico entre o Ártico e o Atlântico Norte, cujo valor militar aumentou significativamente para os EUA e a Otan, especialmente considerando o contexto da guerra na Ucrânia.

A ilha já desempenha um papel crucial na defesa norte-americana, abrigando uma base aérea e uma estação de radar dos EUA. A Base Espacial de Pituffik, localizada na Groelândia, serve como um local-chave para missões de defesa antimíssil e vigilância espacial.

Recursos naturais

A Groenlândia tem depósitos de recursos naturais valiosos:

  • Petróleo e gás: Reservas significativas de hidrocarbonetos.
  • Minerais raros: A Groenlândia tem depósitos importantes de minerais como neodímio e disprósio, cuja produção é atualmente dominada pela China 🇨🇳 e Rússia 🇷🇺.

Histórico de tentativas de expansão

O interesse de Trump na Groenlândia reflete antigas ambições expansionistas dos Estados Unidos:

  • A administração Truman ofereceu $100 milhões pela Groelândia depois da Segunda Guerra Mundial.
  • A administração Johnson explorou a possibilidade de aquisição na década de 1860.
  • Nesta mesma década, os EUA adquiriram o Alasca, que até então era da Rússia.

Quando os EUA compraram o Alasca?

Os Estados Unidos 🇺🇸 compraram o Alasca da Rússia 🇷🇺 em 30 de março de 1867. O acordo foi formalizado nesta data, quando o então Secretário de Estado William Seward negociou a aquisição do território com o embaixador russo, o barão Edouard de Stoeckl.

Detalhes da compra

  • Valor: US$ 7,2 milhões (equivalente a cerca de US$ 100 milhões em valores atuais).
  • Área adquirida: Mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados.
  • Preço por hectare: Aproximadamente 5 centavos de dólar.

Inicialmente, a compra foi alvo de críticas e zombarias, sendo chamada de "a loucura de Seward" e o território apelidado de "geleira de Seward" e "jardim dos ursos polares". 

No entanto, com o tempo, a aquisição provou ser um dos melhores negócios da história dos Estados Unidos, especialmente após a descoberta de recursos naturais valiosos como ouro e petróleo.

Repercussão: quais as reações ao interesse de Trump pela Groelândia?

O suposto interesse renovado pela Groenlândia causou uma série de reações da comunidade internacional. Eis algumas respostas de líderes e autoridades:

  • 🇩🇰 Dinamarca:
    • A primeira-ministra Mette Frederiksen reafirmou que "a Groenlândia não está à venda" e que o futuro da ilha será decidido pelos próprios groenlandeses.
    • O ministro da Defesa, Troels Lund Poulsen, anunciou um aumento significativo nos gastos com defesa na Groenlândia, descrevendo como uma "quantia de bilhões de dígitos".
    • O líder do Partido Conservador dinamarquês, Rasmus Jarlov, ironizou as intenções de Trump, sugerindo que seria mais realista a Dinamarca comprar uma parte dos Estados Unidos.
  • 🇬🇱 Groenlândia:
    • O primeiro-ministro Mute B. Egede enfatizou que "a Groenlândia pertence aos groenlandeses" e que o futuro e a luta pela independência são assuntos internos. "Não estamos, e nunca estaremos, à venda. Não perderemos nossa longa luta pela liberdade", disse.
    • A parlamentar groenlandesa Aaja Chemnitz expressou indignação, rejeitando a ideia de se tornarem cidadãos dos EUA.
  • 🇨🇦 Canadá:
    • O primeiro-ministro canadense Justin Trudeau rejeitou as ameaças de Donald Trump de que os EUA poderiam usar 'força econômica' para anexar seu aliado mais próximo, dizendo: 'Não há a mínima chance de que o Canadá se torne parte dos Estados Unidos.
  • 🇲🇽 México:
    • A presidente do México, Claudia Sheinbaum, ironizou as declarações de Trump e sugeriu chamar os Estados Unidos de "América Mexicana".
  • 🇩🇪 Alemanha:
    • Em um pronunciamento televisionado convocado às pressas, o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, disse que as declarações de Trump provocaram "incompreensão" entre os líderes europeus. "O princípio da inviolabilidade das fronteiras se aplica a todos os países –independentemente de estarem a leste ou a oeste de nós– e todo Estado deve respeitar isso, seja um país pequeno ou um Estado muito poderoso", disse.
  • 🇫🇷 França:
    • O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou que a Europa se levantaria em defesa do direito internacional. "Não há dúvida de que a UE permitirá que outras nações no mundo, sejam elas quem forem, ataquem suas fronteiras soberanas", declarou.
  • 🇺🇸 Estados Unidos:
    • Donald Trump Jr. realizou uma visita à Groenlândia, alegando ser uma viagem pessoal, mas reacendendo especulações sobre o interesse americano na ilha.
    • O bilionário Elon Musk, que ganhou cargo no governo Trump, expressou apoio à ideia de anexar a Groenlândia aos Estados Unidos.

Author

Maurício de Azevedo Ferro
Maurício de Azevedo Ferro

Jornalista e empreendedor. Criador/CEO do Correio Sabiá. Emerging Media Leader (2020) pelo ICFJ. Cobriu a Presidência da República.

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