Eleitores de Kosovo voltam às urnas após partidos não conseguirem chegar a um acordo sobre um novo presidente

Kosovo é um dos países mais jovens e mais pobres da Europa. Declarou independência da Sérvia em 2008.

Eleitores de Kosovo voltam às urnas após partidos não conseguirem chegar a um acordo sobre um novo presidente
Pessoas passam por um cartaz eleitoral gigante do primeiro-ministro interino Albin Kurti, na capital Pristina, Kosovo, na sexta-feira, 5 de junho de 2026, antes das eleições parlamentares antecipadas de 7 de junho / Imagem: AP/Visar Kryeziu

*Por Zana Cimili

Os eleitores do Kosovo vão às urnas neste domingo (7.jun.2026) para uma eleição parlamentar antecipada, a 3ª em 18 meses, numa tentativa de superar o impasse político no país que debate o ingresso na União Europeia e na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

A votação de domingo foi marcada depois que os principais partidos políticos não conseguiram chegar a um acordo, até o prazo de março, sobre quem deveria substituir a ex-presidente Vjosa Osmani. A 1ª eleição inconclusiva, em fevereiro de 2025, deixou o país sem um governo em funcionamento durante grande parte do ano passado, forçando uma 2ª eleição em dezembro.

O impasse prolongado afetou negativamente a economia do Kosovo, já duramente atingida pelas dificuldades energéticas globais e pelo aumento dos preços dos combustíveis.

Kosovo é um dos países mais jovens e mais pobres da Europa. Declarou independência da Sérvia em 2008, após a guerra de 1998-99, que terminou com um bombardeio da OTAN que forçou a Sérvia a se retirar.

O partido de centro-esquerda Vetëvendosje, do primeiro-ministro Albin Kurti, detém uma clara maioria parlamentar desde as eleições antecipadas de dezembro. No entanto, o presidente do Kosovo é eleito por pelo menos 80 dos 120 deputados da assembleia, o que exige um consenso político mais amplo.

Kurti enfrenta a oposição dos dois principais partidos, o Partido Democrático do Kosovo (LDK) e a Liga Democrática do Kosovo (LDK), que o acusam de tentar impor controle total sobre todas as instituições políticas do país.

A ex-presidente Osmani concorre pela lista da oposição LDK, após se voltar contra Kurti ao se recusar a apoiá-la para um 2º mandato.

Embora os principais atores políticos se acusem mutuamente pela crise, a incapacidade de chegar a um acordo alimentou a decepção entre os cerca de 2 milhões de eleitores do Kosovo, que desejam que o governo se concentre na economia e na melhoria da qualidade de vida.

Os analistas ainda não esperam grandes mudanças no resultado das eleições em comparação com a votação anterior, em dezembro.

O vácuo institucional, sem um governo estável, tem atrasado o acesso do país à União Europeia e a outros fundos internacionais. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, durante uma visita na semana passada, instou o Kosovo a pôr fim ao impasse político e a unir-se em torno do objetivo da integração na UE.

O Kosovo foi reconhecido pelos Estados Unidos e pela maioria dos países da UE, mas não pela Sérvia e seus aliados, Rússia e China. Pristina e Belgrado foram informadas de que precisam restabelecer as relações para avançar com seus pedidos de adesão à UE.

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Associated Press
Associated Press

Agência de notícias global e independente, baseada nos EUA. Fundada em maio de 1846.

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