Chanceler do Irã diz que a falta de confiança nos EUA dificulta o fim da guerra

Irã disse que a atuação diplomática da China é bem-vinda, num momento em que Trump e Xi Jinping se encontraram

Chanceler do Irã diz que a falta de confiança nos EUA dificulta o fim da guerra
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, participa da reunião de ministros das Relações Exteriores do BRICS em Nova Delhi, Índia, na quinta-feira, 14 de maio de 2026 / Imagem: AP/Manish Swarup
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*Por Sheikh Saaliq e Adam Schreck

O fato principal

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta sexta-feira (15.mai.2026) que a falta de confiança é o maior obstáculo nas negociações para o fim da guerra com os Estados Unidos. Ele falou que mensagens contraditórias “nos deixaram relutantes quanto às reais intenções dos americanos”. Disse ainda que Teerã estaria aberta à ajuda diplomática, particularmente da China, para aliviar as tensões.

“Temos dúvidas sobre a seriedade deles”, disse ele a repórteres em Nova Déli, na Índia, acrescentando que as negociações avançariam se Washington estivesse pronta para um “acordo justo e equilibrado”.

O presidente dos EUA, Donald Trump, descartou no início desta semana a mais recente proposta formal de fim da guerra do Irã. Embora o Irã tenha incluído algumas concessões nucleares, Trump afirmou que deseja remover o urânio altamente enriquecido do país, impedindo-o de desenvolver armas nucleares. O Irã afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos.

Em negociações separadas em Washington, neste caso envolvendo Israel e Líbano, ambos os lados concordaram na mesma sexta-feira (15) em estender o cessar-fogo vigente entre os 2 países até o início de junho, disseram autoridades norte-americanas.

Com as negociações entre o Irã e os EUA paralisadas durante o cessar-fogo, as tensões permanecem elevadas e ameaçam levar o Oriente Médio de volta a uma guerra aberta e prolongar as dificuldades energéticas mundiais desencadeadas pelo conflito.

O Irã ainda mantém o controle do Estreito de Ormuz, uma via navegável vital por onde passava 1/5 (20%) do petróleo mundial antes da guerra, e os Estados Unidos estão bloqueando os portos iranianos.

Trump e o presidente chinês Xi Jinping, que concluíram negociações bilaterais na sexta-feira (15), concordaram que o Estreito precisa ser reaberto.

China pode desempenhar um papel diplomático, diz o Irã

O presidente Donald Trump interage com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, antes de embarcar no Air Force One, na sexta-feira, 15 de maio de 2026, no Aeroporto Internacional de Pequim / Imagem: AP/Mark Schiefelbein

Araghchi afirmou na sexta-feira (15) que o Irã acolheria com satisfação o apoio diplomático de outros países, particularmente da China, citando o papel anterior de Pequim em facilitar a restauração das relações entre o Irã e a Arábia Saudita.

Pequim demonstrou pouco interesse público nos pedidos dos EUA para maior envolvimento direto, embora Trump tenha dito a Sean Hannity, da Fox News, que Xi se ofereceu para ajudar em suas conversas.

O Paquistão afirmou na quinta-feira (14) que continua seus esforços diplomáticos para ajudar a aliviar as tensões regionais. Mas o governo paquistanês se recusou a divulgar detalhes das discussões ou a dizer se os EUA responderam formalmente.

“O processo diplomático não parou. O processo de paz está em andamento”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Tahir Andrabi, a repórteres em Islamabad.

Irã afirma que o urânio é um ponto de discórdia

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, chega para uma reunião durante a cúpula de dois dias do BRICS em Nova Delhi, Índia, na quinta-feira, 14 de maio de 2026 / Imagem: AP/Manish Swarup

Trump exigiu uma grande redução das atividades nucleares do Irã, enquanto o país afirma ter o direito de enriquecer urânio.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que iniciou a guerra contra o Irã, junto com Trump, no dia 28 de fevereiro, também quer a remoção do urânio altamente enriquecido do Irã.

O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou na sexta-feira (15) que a questão do estoque de urânio enriquecido é um dos temas mais difíceis nas negociações com os EUA.

A Rússia já se ofereceu para ficar com o estoque caso o Irã esteja disposto a entregá-lo. Araghchi disse que a proposta russa não está sendo discutida ativamente no momento, mas pode ser reconsiderada.

“Quando chegarmos a essa fase, obviamente teremos mais consultas com a Rússia e veremos se a oferta russa pode ajudar ou não”, disse ele.

Israel e Líbano estendem cessar-fogo enquanto ataques continuam

Israel e Líbano concordaram em estender o cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, que estava prestes a expirar, por mais 45 dias para permitir negociações sobre um acordo de paz mais amplo, informou o Departamento de Estado dos EUA.

Após 2 dias de reuniões, o Departamento afirmou que convocará novamente as duas partes para discussões nos dias 2 e 3 de junho, enquanto uma via militar (entre os exércitos israelense e libanês) conduzida pelo Pentágono começará em 29 de maio. O Hezbollah se opõe às negociações diretas do Líbano com Israel e não tem participado das conversas.

O embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter, disse que as conversas foram francas e construtivas:

"Haverá altos e baixos, mas o potencial de sucesso é grande", disse ele em uma publicação nas redes sociais. "O que será primordial durante as negociações é a segurança de nossos cidadãos e de nossos soldados."

Apesar do cessar-fogo, Israel e o Hezbollah trocam ataques

O exército israelense afirmou na sexta-feira (15) ter atacado posições do Hezbollah no sul do Líbano após receber alertas de aeronaves hostis e lançamentos vindos do outro lado da fronteira. O Ministério da Saúde do Líbano informou que 3 paramédicos foram mortos em um ataque perto da cidade de Harouf.

Outros ataques ao redor da cidade costeira de Tiro feriram quase 40 pessoas, destruíram um centro de saúde e danificaram o Hospital Hiram, nas proximidades, ferindo 6 profissionais de saúde, segundo o ministério.

Um navio de propriedade chinesa ancorado perto dos Emirados Árabes Unidos foi apreendido esta semana e levado para águas iranianas.

A empresa chinesa de segurança privada Sinoguards afirmou ter sido "informada por meio dos canais competentes" de que a embarcação Hui Chuan, que operava como plataforma de trabalho offshore, foi levada para águas iranianas para inspeção de documentação e conformidade pelas autoridades.

Em um comunicado enviado por e-mail, a empresa afirmou não haver indícios de feridos a bordo e que está cooperando com as autoridades.

Honduras, país onde o navio estava registrado, informou que a embarcação tinha 17 tripulantes, incluindo pessoas do Nepal, Mianmar, Vietnã e Sri Lanka.

A apreensão ocorreu enquanto um alto funcionário iraniano reiterava a reivindicação de seu país sobre o controle do Estreito de Ormuz e outro afirmava ter o direito de apreender petroleiros ligados aos EUA.

Os EUA apreenderam embarcações no Golfo de Omã no mês passado e, na sexta-feira (15), o ministro das Relações Exteriores do Paquistão afirmou ter garantido o retorno de 11 cidadãos paquistaneses e 20 cidadãos iranianos que estavam a bordo dessas embarcações.

"Todos estão bem de saúde e de bom humor", disse o ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar.

Emirados Árabes Unidos aceleram construção de oleoduto

Os Emirados Árabes Unidos estão acelerando a conclusão de um novo oleoduto que permitirá exportar mais petróleo sem precisar passar pelo Estreito de Ormuz.

O xeique Khaled bin Mohammed bin Zayed Al Nahyan, príncipe herdeiro de Abu Dhabi, ordenou à estatal petrolífera ADNOC que acelere as obras do oleoduto, informou o Gabinete de Imprensa de Abu Dhabi na sexta-feira.

A companhia petrolífera já opera um oleoduto projetado para transportar 1,5 milhão de barris por dia de seus campos de petróleo até o porto de Fujairah, no Golfo de Omã.

O novo oleoduto, que deverá dobrar a capacidade de exportação da empresa por meio desse porto, entrará em operação no próximo ano, informou a assessoria de imprensa.


*Schreck reportou de Dubai, Emirados Árabes Unidos. Os repórteres da Associated Press Munir Ahmed, em Islamabad; Koral Saeed, em Abu Snan, Israel; Matthew Lee, em Washington; e Mae Anderson, em Nova York, contribuíram para esta reportagem.

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Associated Press
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